sábado, 29 de janeiro de 2011

Antes de partir...

Esse post tem um cunho meio melancólico, e sua intenção não é ensinar conceitos e mecanismos, mas apenas chamar a atenção para uma situação que só entende quem passa por ela.
Para começar, paliativo significa “que serve para acalmar, aliviar temporariamente”, e segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cuidados paliativos são uma abordagem que objetiva a melhoria na qualidade de vida do paciente e de seus familiares diante de uma doença que ameaça a vida, através da prevenção e alívio de sofrimento, por meio da identificação precoce e avaliação impecável, tratamento de dor e outros problemas físicos, psicológicos e espirituais.
Portanto, esses cuidados não são feitos apenas em casos de câncer. Doenças progressivas não malignas e doenças terminais e hereditárias também podem requerer tais medidas. Os cuidados paliativos visam manter o doente livre de dor, para que possa “morrer confortavelmente”, com dignidade e onde queira, e indica uma possibilidade de recusar intervenções tecnológicas que prolonguem a vida. Cecilly Saunders, uma enfermeira que primeiramente atentou para os cuidados, disse que a intenção é “dar mais vida aos dias, em vez de acrescentar dias à vida”. Afinal, as pessoas esquecem que adiar o inevitável, às vezes, é apenas prolongar o sofrimento.


  
Não se trata de adiantar o óbito, é claro. Se trata apenas de deixar que, quando a hora chegar, seja a hora. Pode acontecer de o paciente superar todas as expectativas e viver mais seis meses em vez de duas semanas. Na verdade, muitas vezes esses cuidados mais próximos e afetuosos ajudam o paciente a viver mais, e com certeza esse tempo extra será mais bem aproveitado. Deixar que a morte corra seu curso natural normalmente permite que o doente siga todo o ciclo psicológico comum da situação – negação, raiva, negociação, depressão, interiorização e aceitação. Algumas vezes, ainda, ajuda os familiares a entender melhor, também, e aceitar o fato. Por isso, nós, como profissionais de saúde, devemos colaborar e entender as fases, para nos adaptarmos as adversidades e conseguirmos tratar os pacientes como humanos, em vez de a doença em si.


Por Marcela Peres

Melanoma


                Melanoma é o nome dado a neoplasias malignas de melanócitos. Melanócitos interagem preferencialmente com queratinócitos, formando unidades de pigmentação. Em situações normais, existe 1 melanócito para cada 5 a 8 queratinócitos e estima-se que cada melanócito possa se relacionar diretamente com até 35 queratinócitos.
                Melanócitos na unidade de pigmentação geralmente não se encontram em estado de proliferação. Entretanto isso não é regra; em respostas a situações pró-inflamatórias, os queratinócitos podem estimular essa proliferação. Em geral, os queratinócitos inibem a proliferação dos melanócitos e acredita-se que essa inibição dependa do contato célula-célula e seja definida por proteínas sinalizadoras de membrana (E-caderinas).
                Em melanomas, a expressão dessas proteínas funcionais é diminuída ou elas são mutadas, entretanto, não há evidências de que isso seja um mecanismo operante na proliferação de melanomas. Essa diminuição de E-caderinas em melanomas estimula a expressão de N-caderinas em fibroblastos dérmicos, em células endoteliais e em melanócitos normais. Nesses últimos, além disso, a expressão de E-caderinas também é diminuída. Isso mostra a interação que um tumor pode ter com as células normais ao seu redor.
                Os principais fatores mitogênicos de melanócitos são sintetizados por fibroblastos e queratinócitos e têm sua produção estimulada por radiação ultravioleta. Em melanomas, observa-se a produção desses fatores pelas próprias células tumorais. Isso tem sido interpretado como um possível fator de evasão de crescimento radial do processo de morte celular. Esses fatores mitogênicos estimulariam vias de proliferação celular e também vias bioquímicas de sobrevivência ou de resistência à apoptose. Essa via explicaria a sustentação de melanomas na derme sem a dependência do contato com queratinócitos.
                Apesar do conhecimento nessa área ter crescido, a incidência de melanomas também tem crescido e esse é um tipo de tumor de alta mortalidade se diagnosticado tardiamente. Sabendo disso, a ideia dos pesquisadores da área é desenvolver marcadores que permitam o diagnostico o mais precoce possível, para que dê tempo de o tratamento cirúrgico ainda ser curativo.

Fonte: 2005 FERREIRA, Carlos Gil e ROCHA, José Cláudio Casali da. Oncologia molecular. Rio de Janeiro:
Atheneu. 2004

Cuidado com a Balança!

O aumento de massa corpórea influencia no desenvolvimento de câncer e no maior risco de morte em pacientes com câncer. O sobrepeso constitui fator de risco para 20 % de todos os cânceres.  Só que o efeito do peso não é semelhante em homens e em mulheres. Pensando em valores, há maior porcentagem de cânceres desenvolvidos com causa a obesidade em mulheres do que em homens.
(*)1: Câncer causado por obesidade (*)2: Câncer com outras causas
Os estímulos químicos associados à obesidade não variam apenas em relação ao sexo, variam em relação aos órgãos. De acordo com o órgão, a obesidade pode estar ligada ao aparecimento de células tumorais e sua proliferação ou não.
            Alguns exemplos de cânceres ligados à obesidade são o câncer de mama, esofágico, cólon, colorretal, rim, mieloma, linfoma não-Hodgkin, útero, leucemia, vesícula biliar, próstata.                  
                   Gráfico para alguns cânceres
Série 1: causa obesidade    Série 2: outras causas   (*)Fonte: International Agency for Research on Cancer

PENSANDO INICIALMENTE EM CÂNCER DE CÓLON
O índice de massa corpórea e o risco de desenvolvimento de câncer têm relação com a quantidade de insulina circulante no sangue. A insulina é um hormônio pancreático responsável pelo aumento de transportadores de glicose na membrana da célula consequentemente pela maior estocagem de glicose para o interior celular. Isso permite a redução da concentração de glicose sanguínea.
No caso do câncer de cólon, o maior nível de glicose no sangue oferece maior risco para o desenvolvimento do câncer. A concentração maior de glicose estimula a maior liberação de insulina.
Para verificar provável correlação, um modelo de animal recebeu solução salina e outro recebeu solução com insulina - com um marcador no c-peptídeo. O c-peptídeo é liberado quando há clivagem da pró-insulina, sendo parâmetro para o índice de insulina no sangue. Com os dados dos dois modelos, conclui-se que há maior propensão de desenvolvimento de câncer com concentração elevada de insulina no sangue por provocar maior adiposidade nas suas células.
Outra pesquisa apontou resultado parecido para outro tipo de câncer. Tem se que quanto maior adiposidade maior será o risco de desenvolver câncer de cólon. Assim, a diminuição da adiposidade seria acompanhada de menor risco. Esta seria a lógica. Só que a lógica aparentemente pode ser referente a câncer colorretal.
            A redução do peso determinaria menor risco por morte de câncer colorretal Isso foi verificado em pessoas submetidas à cirurgia bariátrica. Houve menor propensão no grupo submetido à cirurgia com perda de peso posteriormente a esta.
 OUTROS ESTUDOS E EVIDÊNCIAS               
Estudo caso-controle no Canadá, homens que adquiriram 21 kg após os 20 anos de idade tinham um risco de 60% maior para câncer colorretal comparado aos que adquiriram 1 kg a 5 kg. Já no grupo formado por homens e mulheres, alteração significativa do índice de massa corpórea a partir dos 30 anos ou 50 anos teve um aumento do risco em 25% a 35%.

CURIOSIDADE: CIGARRO x OBESIDADE
Incrível!
Obesidade tem maior prevalência como causa de câncer do que cigarro.
Parar de fumar pode equivaler à redução de 50% do risco de câncer de mama com perda de 10 kg após a menopausa.

Por Gausielle Batista
Fonte:


Artigo “Obesity and Cancer”, KATHLEEN Y.WOLIN, KENNETH CARSON, GRAHAM A. COLDITZ.

Álcool e câncer

Os resultados de vários grandes estudos epidemiológicos têm estabelecido firmemente que o álcool está associado a elevada incidência de câncer e mortalidade. Seu consumo provoca cânceres da cavidade oral, faringe, laringe, esôfago, cólon, fígado, pâncreas e mama feminina. A freqüência da maioria das doenças induzidas por álcool aumenta de forma linear com o aumento da ingestão. Nestes estudos, foi demonstrado que a ingestão de todos os tipos de bebidas alcoólicas está associado com um risco aumentado, o que sugere que o etanol é o próprio composto crucial que faz com que ocorra a doença.
O papel do álcool na carcinogênse pode se dar através do aumento da expressão de certos oncogenes ou pelo prejuízo da capacidade da célula de reparar o DNA, aumentando, assim, a probabilidade de mutações oncogênicas. Os mecanismos subjacentes de como o álcool influencia no aparecimento do câncer não estão claros, mas vários fatores têm sido sugeridos: efeito local do etanol e do acetaldeído, deficiências nutricionais, mudanças no grau de metilação, vigilância imunológica, angiogênese.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) identificou o consumo de álcool como um dos 10 maiores riscos para a Carga Global de Doença. Em todo o mundo, 3,6% de todos os cânceres (5,2% em homens, 1,7% nas mulheres) são atribuíveis ao consumo de álcool. Entre as mulheres, o câncer de mama é composto de 60% dos cânceres atribuíveis ao álcool.
Muito pouco se sabe sobre as margens de segurança do consumo de álcool. O Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos sugere um máximo de 28 g de álcool por dia no homem e metade disso para mulheres. Nesse caso, talvez seja melhor pecar pela falta do que pelo excesso.
Por Marcela Peres

Fonte: Artigo “Alcohol and gastroinstestinal oncology”, Testino, G. e Borro, P.; em “World Journal Gastrointest Oncology” de 15 agosto de 2010

Alimento

No dia 20 de abril de 2009, o Jornal Hoje disponibilizou um cardápio contra o câncer elaborado em um hospital de Jaú(SP) que reduz a incidência de vários tipos de câncer.(Cardápio contra o câncer -“A combinação dos alimentos, o intervalo das refeições e disciplina ajudam no combate a doenças”)
            Já neste outro link oncologista André Márcio Murad falou sobre alimentos relacionados à prevenção do câncer.
http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1371512-7823-ESPECIALISTA+INFORMA+QUAIS+ALIMENTOS+PODEM+AJUDAR+NA+PREVENCAO+CONTRA+O+CANCER,00.html

                                      Alimento, a maçã

A preocupação com a boa alimentação está relacionada à prevenção de doenças, à longevidade saudável. O portal globo explicitou essa preocupação com a proposta de um cardápio de prevenção ao câncer e por meio da reportagem com oncologista.
Os alimentos têm diversos componentes que em conjunto contribuem para um bom equilíbrio metabólico. É difícil avaliar o efeito de mais de uma fruta, de uma verdura na saúde. Assim, há separação de um alimento para avaliar o resultado da sua composição, do que o constitui, no metabolismo celular.

Um dos alimentos atraentes para análise é a maçã.

“One apple day keeps the doctor away”

A maçã é composta por procianidinas, quercetinas glicolisadas, rutina. Um dos seus componentes é um flavonoide, a quercetina.
O termo flavonoide é designado a pigmentos de plantas que derivam do benzo-g-pirona19, enquanto que flavonoides são uma classe de compostos fenólicos composta por calconas, dihidrocalconas, auronas, flavonas, falvonois dihidroflavonol, flavanonas, flavanol, flavandiol,isoflavonoides  .Eles são encontrados na forma agliconas e e glicosídeos nos alimentos, por exemplo.

Fontes de flavonoides



Fontes de quercetina

  

A quercetina está presente, frequentemente, na forma glicolisada nos alimentos. Geralmente, há 1 quercetina-3-rutinosideo para 4 quercetinas-4-glicosídeo nos alimentos. A alteração da forma não glicosilada para a glicolisada e vice-versa define a eficiência de absorção pelo órgão.
A glicosilação proporciona um aumento do caráter hidrofílico, maior afinidade por água, e reduz o caráter hidrofóbico, menor afinidade por água. Quanto ao caráter, haverá maior eficiência na forma hidrofóbica no intestino grosso e menor eficiência na forma hidrofóbica.
Quando a quercetina não está glicosilada, há formação de agliconas no ceco e no cólon por sua hidrólise (quercetina). Só que após absorção de quercetina, ela sofre reação de metilação, glucoronidação, sulfatação no fígado. As reações elucidadas são vias metabólicas com participação deste flavonoide.
Sua eliminação é feita pela urina e pela bile.

PROPRIEDADES

Os flavonoides têm poder antioxidante por atuarem como sequestrantes de radicais livres e por serem capazes de  quelar íons metálicos. Assim, evitam a manifestação do caráter reativo dos radicais e peroxidação lipídica.
Quando em excesso, os radicais promovem alterações no DNA celular. As alterações podem estar associadas à proliferação desordenada de células modificadas geneticamente, células tumorais. Logo, haverá a formação de um tumor.
Possíveis mecanismos antioxidantes :                                  
*inibição do sistema enzimático responsável pela geração dos radicais livres;
*quelação de íons metálicos e inibição reação de Fenton ou Harber-Wels;
*sequestro de radicais livres;
*indução da fase II de enzimas como a glutationa transferase;
*indução de enzimas antioxidaentes como a metalotioneina

PROPRIEDADES DA QUERCETINA

Capacidade de inibir a formação dos radicais livres na iniciação, na formação de radicais hidroxil e na peroxidação lipídica. O caráter antioxidante não é o único relatado, há atividade pró-oxidante em alguns flavonoides de acordo com número de grupos hidroxila presentes em sua estrutura. Isso será responsável consequentemente pelo efeito citotóxico e pró- apoptótico de flavonoides de determinadas ervas medicinais.
(*) Apoptose é a morte silenciosa da célula em que há ativação de proteases específicas e destruição proteica associada a alterações bioquímicas da célula.

VANTAGENS

A ingestão de antioxidantes poderia promover redução ou controle da dimensão do tumor. Assim, pacientes que fazem uso de quimioterápicos teriam melhor expectativa de vida.
Outra vantagem seria ter o flavonoide como possível inibidor do desenvolvimento de câncer por origem química ou biológica serem capazes de diminuir o número de mutações do DNA celular.
            

         
Algumas considerações sobre flavonoides...

Quercetina
Regula ciclo celular, interage com locais de ligação de estrógeno tipo II, reduz resistência às drogas, induz apoptose de células tumorais, inibe a tirosinaquinase, favorece comunicação do tipo GAP entre células isoladas estimuladas pelos promotores de tumor, inibe atividade da proteína p53.
*Ação antitumoral.
Catequina
Conversão de compostos gerados por radicais livres em uma forma menos energética
Epigalocatequina gallate
Prevenção de câncer foto induzido
Resvertatrol
Inibição do crescimento tumoral, angiogênese tumoral, invasão celular
Genisteína e daizdeína, isoflavonoide
Afetam a progressão do câncer


Por Gausielle Batista

Fontes

Recidiva bioquímica em câncer de próstata

O câncer de próstata é a segunda neoplasia mais frequente em homens. Uma maneira de diagnosticar a doença é pela dosagem do Antígeno Prostático Específico (PSA). O PSA é uma proteína secretada pela próstata e seu aumento no sangue, excluídas as causas benignas disso, pode indicar a presença de câncer de próstata.
Outro fato ligado à dosagem de PSA nos pacientes com esse tipo de câncer é a identificação de um grupo de pacientes que apresentam elevadas taxas do PSA na falta de sinais clínicos ou radiológicos de recidiva, mesmo após terem sido tratados para a doença localizada. Nos EUA, cerca de dois terços das pessoas diagnosticadas com câncer de próstata todos os anos são tratadas com cirurgia ou radioterapia e 40% dessas apresentam recidiva após o tratamento local, representando 50.000 pacientes por ano com diagnóstico de recidiva bioquímica.
A recidiva bioquímica pode ser caracterizada como níveis persistentemente detectáveis de PSA após a prostatectomia radical (remoção da glândula prostática e algum tecido circundante cirurgicamente) ou um aumento do PSA após um período de normalização.  É esperado que, depois dessa intervenção cirúrgica, a meia vida sérica do PSA seja de 2,6 dias, que quer dizer o tempo que ele vai permanecer no sangue. Dessa forma, o normal é que dentro de duas a quatro semanas o nível de PSA seja considerado "indetectável", o que não significa cura, já que 40% dos pacientes irão progredir durante o seguimento.
Avaliar o paciente com recidiva bioquímica visa determinar se esta significa que há uma recorrência local ou sistêmica do câncer de próstata. A maior parte dessa recidiva indica manifestação de doença metastática. Não existe uma terapia padrão para os pacientes com a recidiva, o que frequentemente é adotado é a observação, a radioterapia de salvamento e hormonioterapia. Em alguns casos, também podem ser utilizados a braquiterapia, a crioterapia e a prostatectomia de salvamento.
A administração dos pacientes com recorrência bioquímica do câncer de próstata é um desafio para vários médicos, como oncologistas, urologistas e radioterapeutas. É um grupo de pacientes diversos, com evolução clínica diferente,  cujo conhecimento dos fatores prognósticos é extremamente importante, pois pode poupar exames  onerosos, muitas vezes desnecessários, visando individualizar o tratamento da melhor forma possível.
Por Lara Teixeira
Fonte: Revista Brasileira de Cancerologia

Antraciclinas

As antraciclinas são, há bastante tempo, um componente chave em quimioterapias para tratamento de muitas neoplasias malignas de adultos, como câncer de mama, sarcoma e linfoma. No caso do câncer de mama precoce, ela é a base do tratamento quimioterápico que aumenta as chances de sobrevivência do paciente. Em cânceres infantis, ela também está presente em mais de 50% dos regimes que contribuem para uma taxa de sobrevida global maior que 75%.
A quimioterapia citotóxica vem ganhando cada vez mais espaço no tratamento de neoplasias, o que resulta em mais sobreviventes (e com maior tempo de sobrevida). Isso destaca a importância da toxicidade na cura de pacientes com câncer. Apesar disso, em crianças tratadas com antraciclinas, é possível detectar uma relação de efeitos tardios da medicação. As antraciclinas são a classe de medicamentos mais associados com toxicidade cardíaca aguda e tardia.


Desde a década de 70, sabe-se que o tratamento com antraciclina aumenta o risco de insuficiência cardíaca, e que isso depende da dose e do tempo de medicação. Embora os efeitos anticarcinogênicos das antraciclinas sejam mediados principalmente pela inibição da síntese, transcrição e replicação de DNA, elas também produzem radicais livres derivados de oxigênio. Estes radicais livres causam danos diretos às proteínas, aos lipídios e ao DNA, e evidências sugerem que a apoptose do miócito está relacionada ao estresse oxidativo causado por esses processos. Adicione-se a isso o fato de que o número de miócitos só decresce, naturalmente, após o nascimento, e você terá um coração cada vez mais frágil.
Os mecanismos bioquímicos por trás da cardiotoxicidade dos antracíclicos ainda não foram elucidados, mas é importante que haja mais estudos para se entender melhor a fisiopatologia e, talvez, descobrir alternativas para o tratamento.
 Por Marcela Peres

Fonte: Artigo “Cardiotoxicity of anthracycline agents for the treatment of cancer: Systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials”, Smith, L. A., Cornellius, V. R., Plummer, C. J., Levitt, G., Verrill, M., Canney, P. e Jones, A.